“Não é contra você, mãe.”

Oi, gente! Tudo bem? Hoje vamos ter um post um pouquinho diferente por aqui. Uma amiga querida, que tem um blog lindo e cheio de textos inspiradores é a minha blogger convidada de hoje. A Cintia, que mora em NY e tem um filho da mesma idade do D, escreve para o blog Mãe de Hoje e é uma mamãe que me inspira todos os dias. Nós, como mulheres e mães temos que nos ajudar sempre, e ela é uma dessas.

16464093_1773860816267887_1034408075416567808_n

Seja bem vinda, Cintia, e eu espero ter você mais vezes por aqui:

 

“Um belo dia eu me dei conta que eu era uma alienada, o que eu tinha feito era seguir o fluxo, seguindo a manada. Eu ouvia mães comentando que agrediam os seus filhos (gritos, palmadas, puxões de orelhas, surras com chinelos ou cinto),  eu ainda não era mãe, e não pensava nada a respeito, a minha apatia pelo assunto era tamanha que eu costuma usar a frase “Cada mãe sabe o que é melhor para o seu filho”, até como maneira de mudar de assunto e discutir sobre algo que eu tivesse interesse, eu não me envolvia nesses assuntos, eu simplesmente seguia sem pensar.

Mas depois de alguns meses de tentativas eu finalmente estava grávida, logo que eu peguei o resultado do exame eu percebi que alguma coisa tinha que mudar,  e durante as 32 semanas que um pequeno ser era formado dentro do meu ventre, eu me gestava enquanto mulher, enquanto mãe, e uma nova mulher ia se formando, a nova Cintia foi capaz de enxergar coisas que até então não fazia muita questão de ver, o mundo estava tão estranho, as pessoas eram tão indiferentes com a dor dos outros, tudo gira em torno do consumo, o ter nunca teve tanto valor, você só é o que você tem, os valores são tão destorcidos. E eu, o que eu fiz para ajudar a mudar? Nada!

Sabe aquele momento que a visita toca a campainha e você está com a sala na maior bagunça e te dá aquele desespero? Pois é, assim que eu me senti. Eu estava prestes a trazer a visita mais importante do meu mundo, e o mundo que eu habito há mais de 3 décadas está uma bagunça. De repente as luzes se ascenderam e eu me vejo, sentada no sofá do mundo, vestindo pijamas, cabelo emaranhado, comendo um pote de sorvete com um garfo, pois as colheres na cozinha do mundo estavam todas sujas, e se ninguém foi lavar a louça, não era eu que iria lavar, não é mesmo?

A campainha me acordou, e não dava mais para me manter com a cabeça dentro de um buraco como um avestruz, por amor aquele pequenininho eu tive que me abrir, tive que passar a olhar melhor, me obriguei a pensar sobre tudo. Que mundo que eu ia apresentar para o meu filho?

Repentinamente senti uma urgência de mudar o mundo, para tornar ele um pouquinho melhor, afinal eu não vou poder proteger a minha cria o resto da vida e infelizmente o infinito amor que eu sinto por ele não serve e nem nunca irá servir para poupá-lo de todos os riscos. Se tem uma coisa que todas nós mães temos em comum é que queremos o melhor para os nossos filhos, divergimos no caminho a percorrer para chegar a esse resultado, mas não existe a menor dúvida que amamos desmedidamente e queremos o melhor. Para mudar o mundo, um bom ponto de partida é justamente mudar a forma como gestamos, recebemos e criamos os nossos filhos.

Eu não tenho o menor pudor em dizer que eu não me importava muito com o rumo que a carruagem ia seguindo, mas eu mudei, tomei as rédeas e quero que seja diferente. Você pode fazer a sua parte, uma mãe que reflete, que olhe para trás o caminho que está percorrendo e que não se constranja em reconhecer que pode fazer melhor do que já fez. Ninguém está certo o tempo todo. O que a gente pode fazer de melhor é aprender a pensar, a questionar com conhecimento, a tentar entender o que significa aquilo que a gente faz, o que a gente julga correto, o que desejamos, e o que decidimos. Procurar saber o que está por trás do que a gente defende, do que é o normal para nós e o que é correto. E mais do que isso, permitir ficar em dúvidas e mudar de ideia. Essa é a maneira de viver de qualquer um que esteja disposto a aprender com a vida e não simplesmente passar por ela fazendo tudo no piloto automático, acreditando piamente que tudo é exatamente do modo que você acha que é. Experimente se abrir para o novo saiba ouvir, entenda, se não entendeu questione e debata.

Discordar não precisa ser sinônimo de briga, não leve para o lado pessoal. Se você pensa a respeito de um assunto, se você se informa, se você tenta entender o que cada opção significa, se você tem o cuidado de avaliar os prós e os contras e se decide por um certo caminho, mas por favor, se informe, pesquise, leia.

O que não da para aceitarmos é que no ano de 2017  a afirmação do “eu apanhei na infância e sou grata a meus pais por isso, dessa maneira faço o mesmo com os meus filhos”, esteja tão presente e seja usada de forma á justificar o fato de não termos refletido a respeito. Optamos por desculpar todo mundo acreditando e querendo convencer a nós mesmo e a todos de que é bom que seja assim. E que o mundo da maneira que é hoje está ótimo, que o modo como se criam as crianças é saudável e amoroso. Contrariando todas as evidências que provam o contrário a todo tempo, a ignorância na sua mais pura e simples forma.

Não é contra você, mãe. É contra a falta de informação, é contra a banalização da infância, é contra a cultura da violência, é contra a falta de conteúdo, é contra o consumo desenfreado, e mais, é sobre a falta de responsabilidade do futuro que construímos  quando colocamos um filho no mundo.

Quando você defende uma posição, você apresenta ideias, informações, argumentos, reflexões. Você assume o risco de dizer que uma coisa é melhor que a outra, ou de repente que o que está por trás de uma determinada coisa é diferente do que parece ser, e isso imediatamente a torna suspeita e questionável, isso não é um julgamento a sua pessoa, é muito mais que isso, é muito mais importante que eu ou você, é o futuro que estamos criando.

Por favor, pare e reflita você pode fazer a sua parte. A gente muda o mundo ao mudar o nosso modo de olhar para o que é ter e criar uma criança.

Fazendo a nossa parte hoje, quem sabe quando a campainha do mundo dos nossos filhos tocarem, quando for a hora deles receberem a visita mais importante de suas vidas, eles terão um mundo menos bagunçado, e quem sabe até sendo bem otimista, encontrarão tudo organizado e fluindo lindamente. Utópico? Eu prefiro chamar de desejo de um coração cheio do mais puro e sincero amor, o de mãe.”

Anúncios

Um comentário sobre ““Não é contra você, mãe.”

  1. Fernanda, hoje minha visita é bem rapidinha! rs
Gosta de filmes!? 🙂
    O Oscar 2017 esta chegando e fiz um MEGA post com as minhas apostas pra quem leva a estatueta esse ano… Corre lá e me conta quais e quem são os seus favoritos! Uhuuuu…
Ó meu adress aí embaixo.

    HuG! 😀

    http://www.andrehotter.com
    👻 Snapchat: andrehotter
    📸 Instagram: @andrehotter

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s